Estudo + Trabalho + Amizade


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A Metamorfose

Você já observou a borboleta pousada sobre uma folha nova, especialmente escolhida por ela, uma que não caia antes da saída das lagartinhas do ovo, dobrar o abdome até sentir a face inferior da folha e ali colocar o ovo?

Por essas maravilhas da natureza, que somente a Providência Divina explica, cada espécie de borboleta sabe exatamente qual o tipo de planta que deve escolher para colocar o ovo que, graças a uma substância viscosa de secagem rápida, fixa-se imediatamente.

As borboletas são muito admiradas pela leveza dos seus voos e a beleza do colorido de suas asas.

Elas procuram, nas flores, na areia úmida ou em frutos fermentados, o seu alimento, sendo que as flores são muito frequentadas pelas borboletas fêmeas, enquanto os machos preferem as areias úmidas.

Algumas espécies existem que têm a capacidade de permanecer imóveis por tempo considerável, enquanto outras fazem voos curtos, por vezes muito rápidos, indo de uma flor a outra.

Elas buscam a pradaria, as ramadas das árvores, beijam as folhas farfalhantes e driblam o vento apressado.

Bailam em meio às gotículas que se desprendem das quedas d'água ou como pétalas voejam, balançando no espaço.

Seu matiz é mensagem de alegria. A sua liberdade é um convite à paz.

No entanto, dias antes de se mostrarem tão belas não passavam de larvas rastejantes no solo úmido ou na casca apodrecida de algum tronco relegado.

Lagartas, jamais sonhariam com os beijos do sol ou com o néctar das flores. Mas, passam as semanas e após a fase de crisálida, ei-las que surgem maravilhosas, coloridas, exuberantes, plenas de vida.

* * *

À semelhança da lagarta, vivemos no terreno das experiências humanas.

Afinal, chega um dia em que somos convidados a adormecer na carne para despertar na Espiritualidade, planando acima das dificuldades que nos afligiam.

É a morte que nos alcança e nos ensina que a vida não se resume num punhado de matéria que entrará em decomposição.

Também não é simplesmente um amontoado de episódios marcantes ou insignificantes, promotores de esparsos sorrisos e rios de pranto.

A vida é a do Espírito, que vive para além da aduana da morte, tendo como destino a vida na amplidão.

Por isso, quando formos constrangidos a acompanhar, com lágrimas, aquele afeto que se despede das lutas do mundo, rumando para a Espiritualidade, não lastimemos, nem nos desesperemos.

Mesmo com dores n'alma, despeçamo-nos do coração querido com um suave até logo porque exatamente como as borboletas, ele alcançou a liberdade, enfim.

* * *

Ao morrer o corpo, o Espírito que dele se utilizava como de um veículo, se liberta.

Ninguém se aniquila na morte. Muda-se, simplesmente, de estado vibratório, sem que se opere uma mudança nos sentimentos, paixões e anseios naquele que é considerado morto.

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Redação do Momento Espírita, com base no cap. 10 do livro Rosângela, pelo Espírito homônimo, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Selo Comemorativo do Centenário do Nascimento de Chico Xavier


"Ama sempre. E quando estiveres a ponto de descrer do poder do amor, lembra-te do Cristo"

Ação dos Espíritos sobre a Vida Humana - Raul Teixeira


Desde sempre os Espíritos interferiram na vida da Humanidade.

Por mais que alguns não creiam, somos Espíritos, Deus é Espírito. Os seres que Ele criou são seres espirituais que existem para alcançar a sua perfeição, o seu aprimoramento ao longo das idades, nessas idas e vindas ao mundo corporal, como o aluno que vai formando o seu arcabouço intelectual por meio das idas e vindas à escola, do aprendizado que realiza ao longo do tempo.

Desde os tempos mais distantes, travamos contato com os seres espirituais.

Para não irmos tão longe, se recorrermos à Bíblia Judaica, encontramos em o Gênesis, primeiro livro da Bíblia Judaica, a notícia de que no princípio, eram as trevas e o Espírito do Senhor flutuava sobre a face do abismo. (cap. I, v.1)

A partir disso, ficamos pensando nesse Espírito do Senhor, do Senhor Elohim, que pairava sobre as sombras do começo, porque no princípio, eram as trevas.

O Senhor fez a luz, o Fiat lux. O Senhor foi tirando do seio das águas tudo quanto pode, logo, aquelas trevas estavam sobre as águas.

Saiu das águas o elemento árido, o continente, a terra. E tudo quanto, segundo o texto do Gênesis, foi feito, foi feito com essa matéria que saiu das águas.

Encontramos o surgimento do par bíblico, Adão e Eva. E, depois de serem expulsos do Éden, dos jardins Edênicos, o Senhor Elohim colocou um “anjo”, um Espírito, de espada flamejante para impedir que o casal voltasse a penetrar o Éden.

Temos, pois, desde o começo, a interferência dos Espíritos sobre a vida humana.

Se havia uma entidade angélica à porta do Éden para impedir a entrada do casal Adão e Eva, é porque esse Espírito angélico já interferia na liberdade de ir e vir de Adão e Eva.

Ora, quando pensamos nisso, olhamos para os outros povos além do povo judeu e verificamos o surgimento e o desenvolvimento das suas relações com os seres espirituais, o que foi chamado de mitologia.

Exatamente porque os antigos criaram entidades, deuses, que eram a imagem e semelhança deles próprios.

Encontramos, nesse desfilar de divindades mitológicas, os deuses maiores, entidades que faziam o bem e que promoviam o bem. E deuses menores, entidades que promoviam o equívoco, a ignorância ou mantinham esses processos de vida no mundo.

Eram os Espíritos. Esses deuses não passavam de seres espirituais.

É por isso que encontramos, ao largo das mitologias, as notícias de que vários desses deuses se manifestavam através de criaturas especiais, para conversar com a sociedade.

Temos as notícias de que na velha Índia, na Índia védica, milenária, as divindades se comunicavam por meio dos richis, que eram os sensitivos da época, os médiuns da época e, através dos richis falavam os deuses acreditados pela Índia.

Conhecemos na Grécia, as divindades gregas que influenciaram sobre a cultura romana e essas divindades gregas, também através de pitons, de pitonisas, vinham falar com a sociedade.

Como é o caso do deus Apolo, no Monte Parnaso, nas regiões da Fócida, que vinha, periodicamente, através da sibila, falar àquela pequena multidão aglomerada no seu templo, mostrando essa interferência do pensamento dos Espíritos libertos da matéria sobre o pensamento dos Espíritos ainda presos à matéria, ainda encarnados na Terra.

A interferência é global. Em todos os tempos, os Espíritos interferiram na vida da coletividade.

* * *

Ao lado dessas interferências, que aprendemos desde os tempos mitológicos, podemos pensar que, na atualidade, também os Espíritos interferem sobre as nossas vidas.

Nunca os Espíritos deixaram de interferir sobre a vida dos encarnados. Afinal de contas, quem somos nós, os encarnados? Somos os Espíritos temporariamente revestidos de um corpo físico.

Quando sairmos desse corpo físico, pelo fenômeno da morte, voltaremos a ser tipicamente Espíritos, chamados assim, acreditados assim.

O notável Codificador da Doutrina Espírita no mundo, Allan Kardec, teve o ensejo de fazer uma pergunta em O livro dos Espíritos. Essa pergunta recebeu o número 459 e ele indaga da seguinte maneira: Interferem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?

A resposta fundamental: Sim, interferem. Eles interferem a tal ponto que comumente são os que vos dirigem.

Notemos que coisa curiosa, capaz de nos transtornar. Essa certeza de que as nossas vidas são manejadas muitas vezes por seres espirituais.

Uma vez que eles interferem em nossos pensamentos e atos, eles interferem sobre nossas vidas, que são forjadas por atos, depois dos nossos pensamentos.

É muito importante saber que somos Espíritos e, por isso, sofremos essa investida permanente dos Espíritos sobre nossas existências.

Todos participamos desse lado espiritual, pela capacidade de emitir pensamentos, de refletir pensamentos e, graças a essas ondas que atiramos para o espaço, atraímos entidades semelhantes a nós. Atraímos seres simpáticos a nós, que se afinam conosco.

É por isso que, de ordinário, são os Espíritos que nos dirigem. Comumente são os Espíritos que nos dirigem.

Mas existe uma questão fundamental em tudo isso.

Será que estamos vulneráveis a essa interferência dos Espíritos sem que nada possamos fazer?

Não. Não estamos vulneráveis. Cada qual de nós, através do seu procedimento na vida, do tipo de pensamento que alimente, do tipo de conduta que tenha, atrairá para junto de si entidades dos mais variados teores, dos mais diversos tipos.

É dessa forma que vamos definindo quais são os Espíritos que comumente nos dirigem, que ordinariamente nos dirigem; são aquelas entidades para as quais abrimos o nosso campo mental.

Os Espíritos que nos dirigem podem ser do bem ou podem ser da sombra. Se somos indivíduos humanos interessados no bem, buscando o bem, onde quer que estejamos, seja no que for que façamos, automaticamente, podemos garantir que as entidades que nos secundam, que nos influenciam, são de boa índole, são Espíritos do bem.

Se as nossas ações na Terra são negativas, são perturbadoras, são egoísticas, vaidosas, excentricamente desastradas, natural é pensar que as entidades que tomam acento no espaço de nossa vida, são entidades desse naipe, desse tipo, dessa estrutura moral.

Por isso, é muitíssimo importante que, através da nossa vivência, através do nosso modo de ser e de viver, façamos contatos com Espíritos sãos, com Espíritos do bem, com Espíritos da Luz.

É importantíssimo admitirmos que somos Espíritos que vivemos num mundo encharcado deles.

Foi o Apóstolo Paulo que nos disse que estamos cercados por uma nuvem de testemunhas.

Isso mais tarde vai ser confirmado pela Doutrina Espírita, por meio da pergunta a que nos referimos: Interferem os Espíritos em nossos pensamentos e atos? Sim, eles interferem muito mais do que imaginais. Eles interferem a tal ponto que comumente são eles que vos dirigem.

É muitíssimo importante e grave sabermos que a nossa felicidade, espiritualmente falando, ou a nossa desdita, dependem de nós.

Saber que, no mundo dos Espíritos, as entidades não têm acesso franco à nossa vida senão quando lhes abrimos portas através dos pensamentos e atos de cada dia.

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Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 179, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Viver no Paraíso - Richard Simonetti


"Não penseis que eu vim destruir a Lei ou os profetas.
Não os vim destruir, mas cumprir.
Porque em verdade eu vos digo:
Antes que passem o Céu e a Terra, nem um só jota, nem um só til da Lei passarão, sem que tudo se cumpra."
 Mateus, 5:17-18

– Converta-se, meu amigo. São chegados os tempos! É sua última chance!
– O mundo vai acabar?
– Em fogo, como está no Apocalipse.
– Morreremos todos?
– Haverá o juízo. Os eleitos habitarão o paraíso, em corpos celestes, imortais.
– Se nos convertermos seremos salvos?
– Sem dúvida!
– E o amor?
– Que tem a ver com a salvação?
– Jesus não ensinou que ele resume toda a lei e os profetas?
– Haverá muito amor no paraíso.
– A gente amará por viver no paraíso ou viverá no paraíso por amar?
– Sei lá! Isso a Deus pertence.
– Penso que deveríamos cogitar do assunto. Parece-me que o amor é nosso passaporte para o paraíso.
– Como você define o amor?
– Segundo Jesus, amar é fazer ao semelhante todo o bem que gostaríamos de receber dele.
– Concebendo assim fica complicado. Há milênios o homem é orientado pelo egoísmo.
– Então, meu amigo, você há de concordar comigo que muita água rolará no rio do tempo, até que nos habilitemos aos páramos celestes.
– Mas… e o fim do Mundo?
– Ocorrerá um dia, sem dúvida, quando se apagar o Sol. Mas isso levará alguns bilhões de anos. Até lá teremos aprendido a amar, em integral cumprimento da lei divina.
– Iremos finalmente para o paraíso?
– Não importa onde será a nossa morada. Onde estivermos será o paraíso!

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Livro O Céu ao nosso Alcance - Richard Simonetti

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Richard Simonetti - Perguntas e Respostas

1 – Há quem diga que durante o sono temos contato com o mundo espiritual. É possível?
Essa é a realidade demonstrada pela Doutrina Espírita. Quando dormimos, podemos transitar pelo Além. Por isso costuma-se dizer que o sono é um mergulho na eternidade.

2 – Os sonhos são lembranças de nossas atividades no plano espiritual, durante o sono?
Nem sempre. Diríamos que há três tipos de sonhos: fisiológicos, psicológicos e espirituais, definindo situações diferentes que nos envolvem durante o repouso noturno.

3 – O que é o sonho fisiológico?
É aquele que dramatiza algo que acontece com nosso corpo. Se está frio e nos descobrimos, sono pesado, sem despertar, poderemos nos ver num campo de neve, tiritando. Pessoas com incontinência urinária sonham que estão satisfazendo essa necessidade fisiológica, enquanto molham a cama. Adolescentes sonham que estão mantendo relação sexual quando experimentam poluções noturnas, naturais em sua idade.

4 – O que é o sonho psicológico?
É aquele que exprime nossos estados íntimos. Nos velhos tempos, em que não havia os recursos da informática, eu passava dias e dias procurando diferenças nas fichas gráficas de contas correntes, no Banco do Brasil, onde trabalhava. À noite sempre me via, durante o sono, na agência, repetindo intermináveis verificações. Era a dramatização de meu envolvimento com aquele problema.

5 – E o sonho espiritual?
É o resíduo de uma atividade desenvolvida pelo Espírito, afastado do corpo durante o sono. Kardec denomina essa situação como emancipação da alma.

6 – Como podemos saber se um sonho exprime uma atividade espiritual ou se trata de simples dramatização de situações fisiológicas ou psicológicas?
Os sonhos de caráter fisiológico ou psicológico são fugidios, mal delineados. Os sonhos espirituais são mais nítidos, mais claros. Guardamos melhor. E um detalhe: geralmente são coloridos, o que não costuma ocorrer com as demais formas, que se apresentam em branco e preto.

7 – Há sonhos repetitivos. A pessoa se vê sempre na mesma situação, não raro dramática. Está se afogando, ou envolvida num incêndio, ou sofrendo um acidente. Tem algo a ver com o mundo espiritual?
Chamam-se recorrentes os sonhos repetitivos. Geralmente envolvem uma experiência dramática, em passado próximo, na vida atual, ou remoto, em vidas anteriores. Esses registros, sepultados no inconsciente, podem aflorar na forma de sonhos, principalmente quando passamos por alguma tensão ou preocupação exacerbada.

8 – Freud concebia que, interpretando os sonhos de seus pacientes, poderia ajudá-los a vencer traumas e desajustes. É possível?
Freud estava no caminho certo. Faltou-lhe a crença na imortalidade e na reencarnação para perceber que sonhos perturbadores podem ter origem em influências espirituais ou em reminiscências de vidas anteriores.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Entrevista com Divaldo Franco

O que é felicidade?
A felicidade é a perfeita identificação entre o que parecemos e o que somos. Nossa proposta é: seja você mesmo. Nada obstante, para viver em sociedade dissimule os seus problemas. Porque a sociedade não te pode resolver. Nem seria lícito que nós exteriorizássemos nossos problemas a pretexto de ser leais com o grupo social. Mas a felicidade vem da harmonia interior do indivíduo perante a vida.

Como se busca a felicidade?
A busca da felicidade é um trabalho interior de transformação moral e de renovação emocional. Todos nós temos defeitos, que são problemas da nossa evolução antropológica. As heranças do instinto, agressividade, violência, o orgulho, o desejo de posse, a supremacia e as outras emoções perturbadoras como o medo e o ciúme. A busca da felicidade dar-se através da nossa mudança interior, cada dia lutando para sermos melhores que no dia anterior.

É uma busca difícil?
Não, não. Porque é uma questão de hábito. Não pode haver nada mais difícil do que falar, do que andar, do que cantar, do que exercer qualquer atividade cultural. Através do treinamento aquilo se torna tão natural que se incorpora a nossa vida. Daí dizer que os hábitos são uma segunda natureza. Se nós conseguirmos realizar um esforço moral para algumas mudanças estaremos numa situação de muita harmonia.

Para pessoas que passam por grandes tragédias, como a que ocorreu no Haiti, ou em Angra dos Reis, no Brasil, ainda é possível encontrar felicidade?
Sim, e nós temos exemplos no mundo inteiro. Naturalmente as pessoas emocionalmente mais débeis sentem-se destroçadas e se não receberem ajuda psicológica específica não saem da depressão, do desencanto nem do pessimismo. Mas, pode observar, há grandes vidas assinaladas por muitas tragédias, por doenças terríveis, e o indivíduo consegue superar. Determinados atletas mundiais, por exemplo, foram vítimas de paralisia, outros tiveram deficiência, outros tiveram lar muito modesto, mas esforçaram-se e conseguiram a meta que perseguiam.

Qual o segredo disso?
Primeiro, não ter auto compaixão. Porque, problema, todo mundo tem. E, de alguma forma, insucessos, tragédias, ocorrem no cotidiano de quase todas as pessoas. Umas emocionalmente mais frágeis voltam-se para dentro, para serem infelizes, para queixar-se, para lamentar. Outras, resolvem enfrentar o problema e então superam o desafio.

O que é a verdade?
É a paz interior. Existem três verdades do ponto de vista psicológico: a minha verdade, a sua verdade e a verdade real, que é aquela que a gente nem sempre alcança. Se acontece um crime e duas pessoas veem, cada uma conta de uma forma e o juiz terá que avaliar realmente o que aconteceu porque, para o nosso emocional, a verdade é o que nós sentimos e não aquilo que realmente representa a verdade.

Mas, qual é a melhor verdade na opinião do senhor?
É o indivíduo integrar-se no cosmo. Tornar-se útil, encontrar uma diretriz de segurança para ser feliz.

Como o senhor define o Espiritismo?
É uma ciência que estuda a origem, a natureza, o destino dos espíritos e as relações com o mundo material. Essa é a definição dada por Alan Kardec. Eu diria que o espiritismo é uma ciência da filosofia, é a filosofia da religião e a religião da ciência.

E é uma ciência bem aceita pela sociedade?
Toda idéia nova enfrenta muitos preconceitos. E no começo do século XIX enfrentou três tipos de preconceitos. O preconceito religioso, o preconceito científico e o preconceito popular. O religioso dizia que eram propostas demoníacas, como fez com todas as ciências. E isso foi superado. Porque o essencial do espiritismo é a prática do bem, a transformação moral do indivíduo, a busca de Deus e o mal não pode fazer bem. Os cientistas diziam que os médiuns eram psicopatas. Portadores de alienação mental, de esquizofrenia, de epilepsia, no entanto as investigações disseram que os médiuns são paranormais. Portadores de sexto sentido. E a dificuldade popular era a da ignorância. que confundia o espiritismo com ao africanismo, com a bruxaria, com o xangô, essas questões que dizem muito respeito ao animismo cultural do nosso povo, mas está superado.

"Vivemos muito angustiados na busca de coisas, acreditando que elas são essenciais à vida. Naturalmente algumas são fundamentais, mas há outros valores. O ser interior, a paz que o indivíduo desfruta, a harmonia do grupo familiar, a alegria de viver, constituem valores que nos levam ao encontro da verdade"


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Trechos da entrevista de Divaldo Franco concedida ao jornal "Tribuna do Norte" em 31/01/10
http://tribunadonorte.com.br/noticia/divaldo-pereira-franco-vivemos-angustiados/139193 - site acessado em 02/01/10 às 09h35

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Inutilidade

"Fui trazido a esta Casa por amigos espirituais que zelam pelo meu aprimoramento, para que pudesse trazer aos irmãos o meu testemunho.

Estive encarnado na Terra lá pelos idos dos anos 40. Fui pessoa afável e tinha família, filhos, emprego e pessoas conhecidas, porque eu mesmo - confesso - não era amigo de ninguém.

Cuidava da minha vida e não fazia mala ninguém. Pelo menos, não conscientemente. Mas era como um fantasma a flanar pelo mundo, ao qual me ligava de forma apenas superficial. Mesmo em família, não vivia a plenitude do abençoado ambiente familiar... Era como se coabitasse com pessoas que não eram mais do que conhecidas.

Nunca ajudei quem quer que fosse e não abri mão de coisa alguma que julgasse minha para favorecer alguém, mesmo os meus filhos.

A vida era vazia e vazio se fez o meu desencarne. Ao despertar, nada via e nada sentia...

Durante algum tempo tive dúvidas sobre se ainda estava no plano físico preso a uma matéria danificada, sem movimentos e sentidos... Ouvia, no entanto, ruídos longínquos que sugeriam a presença de pessoas próximas. Era, enfim inútil como o fui durante toda a existência física: completamente voltado para dentro de mim.

Longo tempo passei assim e, posso dizer, só recentemente me abriram os olhos...

Agora procuro resgatar o tempo perdido e venho advertir meus irmãos para que não repitam o erro que cometi. Não vivam só para si, vivam para servir e permitam que o mundo lhes toque as fibras do coração, dando a ele tudo o que a boa vontade pode produzir."

Um Espírito em Evolução
Médium Alexandre Burburan

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A Caridade
Setembro de 2000